Abril

É um mês. Só um mês, como tantos outros onze do calendário. O mês onde as folhas do outono começam a cair, amareladas e secas. O mês da renovação. Abril, o mês no qual nasci.

Quando lembro do que não lembro, dos primeiros anos de vida, vejo o quanto o ser humano pode crescer e mudar. Melhor, moldar. Se moldar às necessidades e dificuldades de uma vida em amplo e intenso movimento. Dos meus sonhos, de mais variadas formas e formações, só sobrou o bojo, o caráter, a iniciativa de fazer e realizar. Deve ser assim como todo mundo. Eu sempre quis ser um monte de coisas. Hoje, sou eu. E isso é muita coisa, pelo menos pra mim.

Lembro também dos amores inesgotáveis e doloridos, que no ano seguinte já estavam esquecidos, ao passo que os verdadeiros amores, mesmo com todas as lutas, sempre se faz presente. Da rejeição, da popularidade, os extremos que sempre permeiam a vida de qualquer sujeito. Do dia em que o sangue jorrou pela primeira vez e todos viram; do dia em que jorrou silencioso e ninguém pôde [ou quis] ajudar.

Recordo do dia em que Daniel Day-Lewis mudou minha vida, “Em nome do Pai”. Em que fui um paciente britânico para me apaixonar perdidamente por Juliette Binoche, que vi Denzel Washington e Tom Hanks dizerem pra mim, só pra mim: “Moleque, vai lá e faz direito, é a sua cara” e que, anos depois, Djimon Hinsou gritou para que tivéssemos a liberdade, e eu me libertei das amarras do direito e fui fazer algo que amo.

Muitas coisas se passaram, 3 títulos brasileiros do Mengão, 2 mundiais da Seleção e uma derrota pra França por 3 x 0, quando eu estava brigando com uma namorada e meu celular voou uns 20 metros. Acreditem, a culpa não foi do Zagallo, nem do Ronaldo. E ainda assim, hoje mais velho, muitas vezes me sinto um menino começando uma nova aventura, colocando o veleiro da minha vida para navegar rumo a mares nunca dantes navegados.

Mais um mês de um ano se passa… pra mim é mais um ciclo que se fecha. Como as árvores, minhas folhas caem e se transformam neste mês. Afinal, eu sou de abril e, como todo humano, fênix de si mesmo, estou pronto para renascer. Mais uma vez.

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