Primeira Vez

Noite linda, céu estrelado. Tudo era apenas brincadeira e foi crescendo. Passei por você e não lhe dei atenção. No bairro do Flamengo, madrugada de um dia que se tornaria inesquecível. Mal imaginava que dali a pouco estaria contigo em meus braços.

Estava com uns amigos, que pararam o carro. Olhei você e seu corpo perfeito, cheio de curvas. Deitei com você na grama. Manuseei cada pedaço do seu ser. Observei cada jeito. Enfiei minha ferramenta. Primeiro de forma delicada, depois com violência.

Você estava inerte, parecia que gostava. Seu silêncio me torturava. Xingava você de todos os nomes, de todas as maneiras possíveis. Fiquei nervoso, era minha primeira vez. O sol já raiava, quando terminei o ato. Estava embebido no seu líquido, empapado de suor.

Ao fim, você finalmente gritou. Alto. Sorri satisfeito. Quem não gosta de fazer bem feito?Pena que seu líquido era graxa, o seu corpo era borracha e minha ferramenta era um macaco. E esta foi a primeira vez que eu troquei um pneu.

[Publicado originalmente em XX.12.2004, em 100 contos que não valem nada]

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