Um Pra Lá, Zero Pra Cá.

Ele era dono de um nome comum. Magricelo, vivia sendo motivo de chacota dos amigos de sua rua. Caniço, saracura e vara-pau eram apenas alguns dos apelidos que seus companheiros de brincadeira utilizavam para apelidá-lo. Sentia-se muito só em sua infância.

Ficou adolescente e espichou ainda mais. Continuava magro e sendo humilhado por seus colegas de rua. Além de só, era tímido por sua magreza. Não conseguia se aproximar das meninas de sua idade, muito menos conversar com elas. Sentia-se cada vez mais só em sua adolescência.

Próximo dos 18 anos, entrou para uma academia. Queria ficar forte – sarado – e conseqüentemente, perder a timidez e ganhar uma namorada. Começou a fazer musculação impulsionado única e exclusivamente porque a encarou como um bálsamo para todos os seus problemas.

Houve mudança, mas muito pouca. Irritou-se. Queria resultados rápidos. Um colega de academia indicou um remedinho, que faria com que sua massa muscular se desenvolvesse rapidamente. Ficaria forte, e assim chamaria a atenção das meninas, finalmente.

Tomou o remedinho, que era para uso veterinário. Esqueceu que uma ampola bastava para um cavalo, de 300 quilos. Pesava 75. Sentiu-se mais forte, os músculos maiores. Tomou banho para ir a boate, mostrar seu corpo.

Olhou-se no espelho. Braços fortes. Foi à boate. Braços inchados. Dançou. Corpo inchado. Dançou. Sentiu-se mal. Dançava mais. Teve convulsões. Dançou de vez. Morreu em um quarto de hospital, por causa dos anabolizantes.

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