Escalenos, Equiláteros

Três. Irmãos. Sangue do sangue. Alma da alma. Daqueles que cresceram se engalfinhando e brigando, como tem de ser. E que nas estradas da vida se apoiam como lados de um triângulo. Um é suporte do outro. Vértices necessários nas longas e nada geométricas estradas da vida.

Sempre houve aquela blasfêmia de um deles dizer que queria ser único, separado, especial. Mas são assim em três. Um complementa o outro. Por serem tão diferentes, são homogêneos. Até a irritação que se fazem é uma forma de amar.

Eles, mais novos; ela, mais velha. Compartilham segredos desde sempre, daqueles que se afogam nas lágrimas da discrição. Por mais duros que sejam, são sempre tesouros que repousam nas vias serenas do silêncio, sem serem incomodados. São uma equipe. Três. Triangulares.

Quando brincam, quando riem, quando choram, quando lembram do passado ou planejam o futuro. Nunca esquecem de ser um time. Um é o coringa da canastra do outro, mas sempre limpos. Quando aquela saudade bate, e a distância berra, uma ligação coloca as coisas em ordem.

Ela, por ser mais velha, é o esteio e a bússola deles. Atrás da aparência, esconde uma delicadeza que não se encontra por aí. Os leva no colo como fazia na infância, como filhos muitas vezes rebeldes que fogem do prumo – e muitas vezes a colocam na rota certa novamente.

Aliás, é coisa que ela faz com os amigos também. Embora tente usar uma máscara de mau humor e rosnar impropérios, no fundo é das almas mais acolhedoras que se conhece. Sempre a postos com um abraço, um afago, um sorriso, discrição. Amiga, com A maiúsculo.

Daquele meio sorriso, de dentes econômicos, porque é tímida ao sorrir, ela é comandante da nau de três tripulantes, cuja grandeza não se expressa só em tamanho, mas em atitudes. Nobreza é gorjeta para os irmãos. É coisa de sangue. É coisa de alma.

Três. Irmãos. Tão diferentes em seus propósitos, opiniões e planos de vida. Escalenos por serem diversos, mas sempre se suportando e se escorando, como qualquer triângulo que se preze. Iguais no que mais importa: na alegria, na verdade, na solidariedade, na essência. Equiláteros. Como tem de ser.

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