Instinto Coletivo

O futebol é um rosário de clichês. E dentre estes, alguns são esquecidos com o tempo, enquanto outros nascem e/ou são reforçados. Nesta Libertadores, o Corinthians resgatou uma expressão que há muito não era dita por aí: A união faz a força.

Após o primeiro jogo onde tinha sido muito superior, o Corinthians entrou com um propósito muito claro: jogar não deixando o Santos jogar. Nada mais justo. Restavam 90 minutos e o Santos estava em desvantagem. Enervar o time da “magia” era uma tática absurdamente confiável.

Mas o Timão não fez só isso. O alvinegro da capital jogou melhor durante grande parte do primeiro tempo. Foi mais efetivo, mais assustador, mais senhor da guerra que era a semifinal da Libertadores. O Santos tentava se encaixar ao jogo, mas era nítido seu desconforto. Um peixe fora d´água, com o perdão da metáfora pobre.

Até que Neymar mostra a outra faceta do craque. Não é necessário sempre ser espetacular, é preciso sempre ser eficiente. E o guerreiro menino foi. Armou a jogada e apareceu calmamente no lugar exato onde a bola estava após chute de Borges, quando bateu, caprichosa, no poste direito. Rede. Santos 1 – 0 Corinthians. O alvinegro praiano brilha. E Muricy finalmente muda sua cara de Muricy para cara de quem acabou de expelir um cálculo renal.

O Corinthians era melhor em campo, o Santos achou um gol. O prenúncio de drama que poderia acontecer pós-intervalo fez pesar o ar respirado pela Fiel no Brasil inteiro. Os próximos 45 minutos seriam um drama épico?

Recomeça o jogo. 2 minutos. Alex levanta a bola na área santista. A gorducha trisca na cabeça de Edu Dracena e…

[pausa: Observe o lance, veja Durval. O zagueiro cangaceiro alvinegro é marcado com o símbolo da tragédia da Libertadores, uma maldição de Sanpaku particular. Enterrou o Atlético-PR em 2005 e mesmo quando ganhou o título com o Santos, fez um gol contra na final. O sertanejo acima de tudo é um forte. No caso de Durval, forte e azarado. Fim da pausa]

… desloca Durval, que não faz a cobertura necessária. A redonda encontra Danilo, frio como um matador, acostumado a decidir partidas grandes. O falso lento, com a fleuma dos carrascos, cutuca a bola com carinho. Cutucou, guardou. Cotinthians 1 – 1 Santos.

O jogo seguiu com a emoção presa, com o Santos sem variações, apelando ao clássico Muricybol enquanto o Corinthians cozinhava o peixe. Mais não se diz, porque mais não se tem a dizer. Trila pela última vez o apito. Corinthians está na final da Libertadores.

Um time que não é um bando de loucos, e sim um bloco compacto e concentrado, pronto para chegar ao seu objetivo. Onde não há estrelas, mas todos jogam pelo bem comum. Um Corinthians coletivo, uma orquestra sem solista, onde cada um faz sua parte com muita eficiência, rumo ao resultado final. Que venha a última batalha, então.

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Uma opinião sobre “Instinto Coletivo

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