Segunda Chance

Ela é uma morena arrumada, de subúrbio, gente humilde, trabalha como diarista para engordar o orçamento. Trabalha durante a semana e samba no sábado e domingo, defendendo o pavilhão de sua Escola, beijando a bandeira verde, branca e dourada.

Em uma das casas em que trabalha, há um rapaz, com seus 20 anos, que sempre a olha esquisito. Um misto de desejo e posse, de cima pra baixo, reafirmando a posição. Ela, altiva, nunca se intimida, faz seu trabalho.

As semanas passam e os olhares não mudam, até que um dia ele se excede e a agarra. Ela, formada nas vielas, não se intimida e o golpeia. Ele a xinga. Ela o bate. Ele silencia. Ela se enoja.

Somem objetos da casa. A patroa pergunta. Ela não sabe. Ele a acusa. A patroa acredita em seu filho. Ela se indigna. Ele sorri sarcasticamente. A patroa a demite. Ela pede uma chance de se defender. A patroa diz que não existem segundas chances para delinquentes. Ela vai embora.

O tempo passa, a vida segue. Voltando para casa depois do samba, pelos becos da favela, ela escuta gritos, reconhece a voz. É o rapaz, desesperado. Dívidas com o tráfico. Ela conhece o traficante. Ele implora pela vida, ela passa pelo local.

Ele a vê, pede para que interceda, diz que furtou os objetos da casa pelo vício e a acusou. Ela fita os olhos dele. Nada diz, segue seu caminho. Silêncio. Não olha para trás. Escuta seis estampidos secos. O barulho das balas. Lembra daquele dia. Não existem segundas chances para delinquentes. Fim.

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