O Titeriteiro

Todo dia a mesma coisa. Ele termina seu show e guarda suas marionetes, calmamente. Para que no dia seguinte, em algum outro lugar, faça um novo show, com novos ou antigos espectadores, prontos para bater palmas. Apaga a luz e dorme pesadamente.

Entretanto, desta vez algo diferente aconteceu. Acordou e seus títeres não estavam lá. Ganharam vida própria. Não conseguia mais os encontrar. Por onde eles foram? Que caminho seguiram? Sentiu-se perdido sem ter aquilo que conseguia dominar. Não havia mais quem manipular.

Caminhou perdido pelas ruas, na esperança de reencontrar cada um de seus bonecos. Não os achava. Não cruzava olhares com eles. Não poderia mais contar as versões da história que só ele via, onde era herói, lider e soberano. Agora, suas marionetes ganharam vida, liberdade, senso crítico. Saíram por aí.

Não havia mais nada a fazer. Poderia escolher entre buscar novos fantoches ou viver outra etapa da vida. Não sabia o que pensar, como seguir, proceder. Ironicamente, estava enlaçado e enrolado nas cordas de sua própria paranóia.

Abriu a última porta da rua vazia por onde tropeçava aflito. Uma luz ofuscante saía da fresta. Acordou. Era um pesadelo. Olhou seu baú e todos os bonecos estavam lá. Seus amigos. Sua rede. Quem é marionete de quem?

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