Jogos, Trapaças, Dois Cornos Fumegantes

“Filho da puta, cabra safado!”. Seco, violento, cortante. O grito irrompe o silêncio do ambiente de trabalho. Fulano e Sicrano, companheiros de profissão e – até ali – amigos, brigam ferrenhamente. A turma do deixa-disso chega para apartar a confusão e mais uma vez eles se estranham. O gerente do setor se espanta com tamanho furdunço e chega perguntando, bravo: “Vocês querem um aumento de 40%? Vou mandar os dois pra fila do FGTS. Que porra é essa?!”. Ânimos exaltados.

O circo montado, o buruçu armado. E começam as explicações. Fulano, o mais exaltado, fala: “Tudo começou quando sicrano me chamou para tomar uma cerveja no bar e disse que estava desconfiado da mulher. A mulher andava estranha, não queria fazer mais amor e ele achou que estava tomando um par de chifres. Me pediu para que eu ligasse para a esposa dele, querendo marcar um encontro. Falou para que eu desse em cima dela. Deu o dinheiro da quinzena pra eu entregar, eu liguei pra ela e fui lá.”

Com gosto em falar dos detalhes sórdidos, Fulano continuou: “Cheguei lá, entreguei o dinheiro, ela foi muito seca, mas continuei conversando. Gostei dela mesmo. Ligava todo dia, e não dizia isso pra ele, até o dia em que ele brigou com ela, ela ficou com raiva, ele viajou a trabalho e eu fui lá e PIMBA, coloquei a pitoca pra vadiar.” Ao fundo se escuta Sicrano dizendo: “mas é um filho da puta mesmo”. Fulano não se conteve e começou a enumerar detalhes ginecológicos do encontro, ao que o gerente do setor interrompeu. Depois de ouvir a estória, só não entendeu porque Fulano era o mais exaltado da confusão e mandou chamar Sicrano.

Sicrano chegou arredio e não menos irritado. O gerente pediu para ele contar sua versão dos fatos. Primeiro, confirmou tudo o que foi contado por seu rival. Depois, o gerente inquiriu o porquê da raiva de Fulano. Foi a deixa para Sicrano desembuchar.

“Quando eu descobri que Fulano tinha comido minha mulher, fiquei louco de raiva. Queria matar ele. Mas antes, queria que ele sentisse o gosto da dor que eu senti. Aproveitei que desta vez ele tinha viajado e fui até a casa dele. Contei tudo pra esposa. Ela ficou doida. Com ódio. Disse que ia capar fulano. A pombagira baixou nela. Falou que ia dar pro primeiro que aparecesse. Já que eu estava lá, me coloquei à disposição, porque minha raiva era igual. E assim começamos um romance. Fui lá várias vezes para acalmar a raiva da mulher dele, de forma bem gostosa. Até que ela não segurou o nojo dele e disse que não queria mais ficar com ele, porque estava apaixonada por mim”. Fulano grita lá de fora “Eu vou te matar, seu filho da puta”.

Depois de ouvir a justificativa dos dois, o gerente os chamou, juntos. Disse que chifre trocado não dói, que ambos deveriam reconstruir suas vidas, seja lá com qual mulher fosse, e que daria uma suspensão de três dias a cada um, para que pudessem pensar no que iriam fazer. Quando voltaram da suspensão, um estava namorando com a mulher do outro. Continuam trabalhando juntos, mas nunca mais se falaram. Não são amigos confiáveis entre si.

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