Armários

Vive rodeada em suas angústias. Tinha tudo para ser a mais querida entre as flores do jardim, mas quando começa a se sentir assim, abre seus espinhos. Não consegue expressar o que realmente sente. Conversa fiada. Afiada. Trancafiada.

Vai enfileirando e descartando amigos como se fossem lenços de papel. Os que sobram – lenços e amigos – usa para chorar, derrama suas lágrimas sentidas em seqüência, desabafando em soluços o que as palavras e as atitudes teimam em esconder.

Arquiteta as situações para ser vítima de um sistema que ela mesma construiu. Nessa distorção, se anestesia. Não encara os problemas. Faz mal aos outros para que eles se vinguem e assim se sinta absolvida.

E quando a aguardada revanche não vem, se exaspera, disparando impropérios a esmo, se perdendo no labirinto de dúvidas e obsessões que não pertence mais a ninguém, só a ela. Anjo rebelde, sem asas, sem protetores, nem de si mesma.

Ao fim do dia, de todos os dias, se olha no espelho e não se reconhece. Não aceitar sua identidade a faz uma pessoa cada vez menos humana, cada vez mais sem personalidade. Nos armários do destino, trancada, ela se embola. Na embolia de sentimentos, se sufoca. E a única companhia que sobra é a solidão.

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