Sem Título nº 3

Clichê. Tudo que é bom vira clichê. Óbvio que alguém vai liderar uma rebelião contra os clichês, a favor daquilo que é diferente. E aí, quando o diferente virar unanimidade, será alvo da rebelião. Cíclico, real, imoral, violento e justificável.

O mundo é uma linha reta cercada por um labirinto de emoções criadas artificialmente. Normalmente os obstáculos são a teia da própria paranóia. Tudo isso alimentado pelo ego Clark Kent, tímido e inseguro com os óculos da realidade, virando super quando coloca a capa da cachaça, até chegar a kriptonita da ressaca moral.

Ah, a simplicidade. Aquela busca incorrigível sobre o que é estritamente necessário. Mas o que é necessário? E o que é simplicidade? Onde estará o oráculo do mundo? Não sou eu. Nem você. Nem ninguém. Somos tão sábios quanto a verdade de um pré-julgamento ou seja, nada.

Porque não é preciso figura de linguagem. É preciso ser figura, com linguagem. Nem maiores, nem piores, apenas figuras. Talvez esteja soando confuso. Não é mais humano do que a confusão. Figuras de linguagem são como granadas. Miramos em uma coisa e acertamos várias outras em volta, nem sempre no alvo.

O status social é eterna discussão, provação, contestação, conspiração. Olhando pelo copo cheio, é a gordura da picanha: Não é saudável, faz mal, mas a maioria não está nem aí. E consome assim mesmo.

O enigma humano do comportamento. Não há modos. E é bem melhor que seja assim. Da guerra com as palavras, surgem linhas em forma de armas brancas. Cortando, macerando, perfurando. Sempre com alguma função, mesmo que esta seja a disfunção. A partir disso,  entre as pedras da vida cotidiana, nascem flores de esperança. Prosaico. Simples. Clichê.

Ao fim das contas, tudo vira um grande clichê. E até os rebeldes que defendiam o diferente são iguais a todos os outros. E o ciclo recomeça. Não se pode deixar de acreditar, deixar de viver, muito menos mudar por causa disso. Olhando pelo copo vazio, é a gordura da picanha: Não é saudável, faz mal, mas é gostoso demais. É melhor viver um pouco menos aproveitando a delícia disso do que viver amargurado saboreando o lado insosso da vida.

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2 opiniões sobre “Sem Título nº 3

  1. Pingback: 101 | Cotidiano e Outras Drogas

  2. Concordo plenamente! Mais vale pequenos e rápidos momentos de prazer a longos e vagorosos minutos de insabor! Ótimo texto mais uma vez! Reflexão da noite!

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