Geração Sapatenis

 O mundo sofre uma epidemia. Eles são muitos. Cada vez mais. Não se multiplicam por democracia, e sim como uma praga. A geração intolerante, egoísta e hipócrita. A geração daqueles que se julgam mais especiais que os outros. A nata da imbecilidade. Poderia chamá-los de cretinos, mas cretino é um xingamento tão bonito que deveria ser elogio. Idiotas. É o que eles são. A geração sapatenis.

Eles não sabem dizer “bom dia”, “obrigado”, “com licença”. A educação deles só existe na primeira pessoa do singular. Eu, eu, eu. Eu ganho, vocês perdem. O raciocínio deles é binário, como um computador. As relações não se baseiam na amizade, na intimidade ou na afinidade, mas no interesse.

São daqueles que se colocam como ecológicos, mas jogam lixo pela janela do carro. Fazem parte da “hora do planeta”, mas poluem a natureza quando ninguém está olhando. Têm preconceito explícito arraigado contra minorias, fazendo questão de irrigar a intolerância para cada vez mais pessoas. Quando são confrontados e acuados, adoram abrir frase de defesa com “eu até tenho amigos que são [minoria vítima do preconceito]”.

Dirigem seu carro sem a mínima consciência, furando os limites de velocidades e os sinais vermelhos. Gritam pelo Fora Sarney e pelo Cansei, mas dão propina para o guarda que checa sua documentação na estrada e fazem questão de ultrapassar pelo acostamento.

Defendem o politicamente correto e a liberdade de expressão e opinião, desde que o ponto de vista deles seja soberano. Não aceitam o contraponto, a discussão, o debate. Utilizam de subterfúgios, de indiretas, de intrigas, de artimanhas em vez de enfrentar uma situação frente a frente.

Sempre desqualificam quem não gostam ou quem julgam mais frágil com escárnio e ridicularização. Quando sofrem do mesmo mal, são injustiçados ou acusam estar sofrendo bullying.

Se alastram por todas as gerações, se preocupando mais com ter do que com o ser. Com suas camisas da marca americana da moda, de preferência estampada como se fosse um outdoor. Com seus sapatênis imaculados, flanam arrotando regras como se pudessem mandar no mundo. Eles são muitos, estão em todos os lugares, já invadiram todas as gerações, formaram um nicho próprio.

Essa geração sapatênis, engomada, que não aceita nem respeita as diferenças, quer tomar o controle. Seja a resistência, não deixe que eles prosperem. Com o discurso raso propagando ódio e preconceito. Tentando subjugar os mais frágeis. Não é uma questão de esquerda, nem de direita. É uma questão de bom senso. E bom senso é ambidestro. Que ele prevaleça.

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7 opiniões sobre “Geração Sapatenis

  1. Pingback: 301 | Cotidiano e Outras Drogas

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  3. São os mesmos caras que acham que “merecem” qualquer coisa, e se.biz conseguem e porque são pobres coitados perseguidos pelo mundo.

    Excelente post, parabéns.

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  5. Pô, cara. Gosto de sapatênis e não sou nada disso! hahah Estou me sentindo ofendido…! 😛

    No fundo são tão diversas pessoas vendidas às ideias do “eu sou sucesso” hoje em dia, que nem dá pra dar um nome pra um grupo desses. Que infelizmente cresce mais e mais…!

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