Malabarista

50 segundos. Não mais do que isso. Este é o tempo que ela tem para chamar atenção com seus malabares e garantir algumas moedas. A esperança de que, ao fim do dia, estes níqueis sejam suficientes para alimentá-la e à sua família. Vermelho.

Eles, os motoristas, têm curiosidade de saber quem é aquela menina de olhos miúdos, nariz arrebitado e semblante altivo. Quer dizer, nem todos. Alguns ficam preocupados com seu telefone de nova geração, ou simplesmente estão tão cansados do mundo ao redor que se fecham numa bolha dentro de si, olhando fixamente aquele ponto vermelho como se fosse um sino de largada, aguardando para disparar.

Ela, por sua vez, também tem curiosidade em saber quem são as pessoas por trás dos vidros fumês. A quem pertencem os traços de arrogância dos dedos que balançam ostensivamente dizendo não, assim como os sorrisos confortantes que se solidarizam, muitas vezes com moedas de 50 centavos e 1 real, até com notas, em um dia de sorte.

Naquele rápido momento, tudo que ela quer é parar o relógio enquanto os malabares giram. Tudo que eles querem é que o instante corra mais rápido e o trânsito flua. São absolutamente divergentes nisso. Mas todos querem um dia melhor, uma vida melhor, os sonhos atingidos, novas diretrizes, tempos de paz. Ela, eles, malabaristas de algo ou alguma coisa. Esperança. Verde.

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