Túmulo do Texto Desconhecido

Daqueles dias em que tudo deu errado. O texto já estava separado para ser publicado. O assunto já tinha sido escolhido, as idéias estavam concatenadas. De repente, não mais que de repente, o rascunho que continha as palavras escritas sumiu. Desapareceu. Puf. Evaporou.

Naqueles milhares de toques havia uma história com corpo, alma e coração. Personagens já descritas que vivenciariam um conto digno de emocionar alguém. Nem que fosse apenas um leitor, mas seria tocado pelo texto. A rara sensação de estar com palavras boas na mão. Perder algo assim é triste.

Começa a fase de interrogatório. Como o texto ainda não estava digitado, o computador e seus virus não são vilões. As pessoas da casa são colocadas na berlinda. Todos são suspeitos. Respondem uma série de perguntas. Não. Sim. Não. Sim. Sim. Não. Todos são inocentes. Procura, vasculha, revira. Cadê? Nada.

Depois do inconformismo, da busca, da irritação, vem a resignação. Não há mais nada a fazer para evitar a ausência. No lugar das palavras, espaços em branco. O semblante crispado de quem lutou, mas perdeu a batalha.

O rascunho repousará ao lado das três chaves de casa, de dois documentos, quatro CDs, um guarda-chuva, todos perdidos e levados pelo duende colecionador que habita cada residência. Só resta abrir uma cerveja e bebê-la em silêncio, reverenciando o túmulo do texto desconhecido

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