Diários Secretos da Cafajestagem – Capítulo III – A Falha

[Nada escrito neste texto é inverídico. Qualquer semelhança com a vida real não é mera coincidência. São depoimentos reais de cafajestes atuantes, em remissão, aposentados, mas sempre, sempre com o gene da cafajestagem como dominante]

– E aí, cara?
[cara de choro]
– Que houve, irmão? [abre uma cerveja].
– Cara, você que é meu melhor amigo, cara dos caras, brother dos brothers, tem que me ajudar.
– Claro, irmão. Qual é a bronca? O que houve?
– Tô na merda.
– Mas por que?
– Cara, sabe aquela menina, fulana?
– Fulana? Aquela?
– Sim, aquela.
– Então, levei pro motel.
– Ah, moleque. Você é um danado!
– Mas, cara, deu merda?
– Deu merda? Como assim, “deu merda”? Não usou a capa do Batman? Gozou dentro?
– Não.
– O namorado dela chegou no motel?
– Não, claro que não. Eu tô vivo, não tô?
– O que houve, então?
– Broxei
– Oi? [cara de espanto]
– É, broxei.
[gargalhada]
– Porra, cara, não ri não, é sério. Muito sério.
– Fale com seu médico, eu falaria.
– Vai pro inferno.
[gargalhada] Conte-me mais. O que houve?
– Cara, fulana me chamou pra sair. Aquele corpo que não é um violão, mas uma Gibson Les Paul, e eu doido pra dedilhar.
– Hum, ela é uma delícia. Com todo o respeito. Respeitão, aliás. [Garçom, mais uma cerveja]
– Então, fiz o esquema clássico de Zagallo: Cineminha, jantarzinho beijinho e…
– … motel
– Exatamente!
– E aí?
– Cara, aquele corpo nu, era um convite pra dançar, comer, sentir, gostar, aquelas coisas que se cantam num funk melody gostosão.
– Saber viver, cara. Saber viver.
– Chegamos lá e começou a brincadeira. Beija pra lá, beija pra cá. Agora pare: pegue no bumbum. Beija pra cá, beija pra lá. Agora desce: pegue no compasso. Ah, como ela é ordinária. Mas o problema é que o compasso não armou.
[olha espantado] Sa-ca-na-gem…
– Olhei pra ele e ele lá, com cara de triste, desolado.
– E todos sabemos que artilheiro que bate o pênalti com cara de triste perde o gol.
– Eu olhei pra ela, tentei compensar, afinal são dez dedos, uma língua.
– E se você fosse contorcionista, teria vinte dedos pra usar. [Garçom, mais uma!]
– Porra, tô falando sério, para de me sacanear.
– Tô só descontraindo, pra você não se deprimir.
– Você já passou por isso?
– Eu? Eu não. Assim como o Ziraldo, eu nunca broxei. Mas isso é inevitável na vida. Quando acontecer, eu te conto.
– Acho que você está mentindo.
– Você acha que eu vou perder a oportunidade de sacanear? [gargalha]
– Porra, tô me abrindo e você me esculachando.
– Bicho, todo homem pode passar por isso. É como transar ou ir pro Serasa e SPC a primeira vez. Gera medo, temor, receio, mas depois você se acostuma, se diverte, ganha experiência.
– Entendi. Mas é normal passar por isso?
– Cara, normal não é. Normal é colocar a pitoca pra vadiar. Mas pode acontecer com qualquer um. O que não pode é virar hábito.
– Obrigado, irmão. Já me sinto mais feliz. Mais confiante.
[Garçom, mais uma] Mas cara, falando sério, você precisa reencontrar a alegria.
– Alegria?
– È, alegria. Soletre comigo. V-I-A-G-R-A, alegria. Acho que você está precisando.
– Vai à merda.
[gargalha]

__________

O capítulo I dos Diários Secretos da Cafajestagem, “La Bombonera” está aqui.

O capítulo II dos Diários Secretos da Cafajestagem, “reveillón” está aqui.

 

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16 opiniões sobre “Diários Secretos da Cafajestagem – Capítulo III – A Falha

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