Do pó veio. E se forma no ventre da mãe. E nasce. Cresce. Na infância alegre e feliz, no seio da família. Nos sorrisos e fotos esmaecidas que demarcam os momentos bons, que fatalmente todos têm quando são crianças. A felicidade deveria ser obrigatória quando se é novo – aliás, a qualquer tempo.

E chega à adolescência. Se questiona. E sofre. Daquelas dores infinitas de amor e rejeição, que duram eternamente durante uma semana, talvez um mês. Com a puberdade, o vazio, a necessidade de ser parte de algo, do todo, de tudo. A perda, para tentar se achar. Sem bússola. Sem rumo.

Na idade adulta, os caminhos. Os experimentos. Se sentir amado, se sentir querido. Se esconder atrás de algo. Há sempre um vício que serve de escudo. É preciso, pensa. E prova. Tudo. De tudo. No desencontro, se encontra. Aspira. Alivia. Anestesia. Relaxa. De novo. Mais uma vez. No descaminho, caminha.

Na boemia esquizofrênica do dia a dia, a realidade se mistura com a fantasia. Persegue os momentos de fuga como se fosse a normalidade. A alforria dos oprimidos pelo cotidiano. Nada faz sentido. Gasta todas as suas fichas nesta empreitada. Literalmente.

E toda vez que desce na plataforma da normalidade, guarda rancor de si mesmo. Não consegue se encarar no espelho. Encontra o desencontro, descaminha o caminho. Não há mais fichas para apostar, tem que pedir por aí, ou coisa pior. Não há alivio, nem anestesia. Ao pó voltou.

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