A Banda de Rock

– Oi [abraça]
– Oi
– A benção.
– Deus te abençoe. Tudo bem filha? Como estão as coisas no colégio?
– Estão bem, caminhando.
– Pelo que tenho visto, as notas estão melhorando. E os amigos, como estão?
– Estão ótimos, a galera do parkour é muito gente boa, gosto deles.
– Também gosto de você fazendo parkour, principalmente pelo fato de que até o momento você não quebrou nenhum osso.[gargalha]
[faz careta]
– Então você está curtindo a galera, se sentindo enturmada. Que bom.
– Então, véi, tô mesmo. Tá muito massa.
Véi? Véi?! Como assim, “véi”?! [olhar inquisidor]
– Desculpa [gargalha]
– Amor, tá vendo a sua filha, né?
[a mãe] Nestas horas ela é só minha filha, né? Compreendo.
– Mas, me diga, “véi”, notas melhorando na escola, parkour, o que mais você está pensando além de desenhar quadrinhos?
– Vamos formar uma banda de rock.
– Uma banda? De rock? Sério?
– Sério!
[disfarça a empolgação] Que interessante. Quantos serão na banda?
– Cinco. Eu, Fulano, Sicrano, Beltrano e a irmã de Beltrano.
– Mas isso não é uma banda, é formação de quadrilha!
– Oi? [olhar espantado]
[gargalha] Desculpa, “véi”.
– Mainha, ele está me sacaneando.
[a mãe] Vocês dois parecem duas crianças! Faz sentido.
– Mas, me conte, qual estilo vocês vão tocar, filha?
– Metal melódico.
– Hum, metal melódico. Sei. Presumo que a irmã de Beltrano seja vocalista.
– É, como você sabe?
– Você não tem a voz fina suficiente pra isso, e os meninos idem. Todos vocês parecem gralhas.
– Então, ela canta igual à Tarja.
– Tarja preta? [gargalha]
– Não, você não conhece nada, canta igual à Tarja…
– Turunen.
[olhar de espanto]
– Minha filha, eu tenho mais anos escutando música do que você tem de vida, não seja inocente.
[olhar rabugento]
– Certo. E você vai tocar o que?
– Teclado.
– Você tem dom, igual à sua mãe.
– É. E tem o teclado de vovó, que algumas teclas não tocam, mas funciona.
Dá pra tirar som de ouvido.
– Bem, aquele não é um teclado de verdade. Se você passar de ano sem sustos eu compro um teclado de cinco ou de sete oitavas pra você, combinado?
[sorri][rosto se ilumina]
– [abre um sorriso]
– [ela vai pro quarto]
– Amor, se a Pequena passar de ano sem sustos, comprarei um teclado pra ela.
[a mãe] Oi?
– É.
[a mãe] Adianta argumentar?
– Não.
[a mãe] Ok.
[a filha volta do quarto, com celular na mão]
– Que foi filha?
– Olha esse aplicativo, que reproduz um piano.
– Hum…
[tira a introdução de “Nemo”, de ouvido, sem errar, rapidamente]
– Parabéns!
“Véi”, eu sou sinistra.
– É. Sinistra. [olho enche d´água]

________

Se você não leu os textos familiares, leia os outros da série: Groenlândia e O Beijo

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5 opiniões sobre “A Banda de Rock

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