Reencontrando os Gigantes

Eu nunca fui um garoto que amava os Beatles e os Rolling Stones. Gosto demais das duas bandas – a segunda bem mais que a primeira – mas minha banda preferida sempre foi outra. Desde moleque, influência direta da minha mãe, meu som preferido é o Led Zeppelin.

Mesmo hoje em dia, em que tenho mais uma ou duas bandas no panteão das preferidas além deles – uma delas é o Dredg, a outra varia conforme o humor – o zeppelin de chumbo é um som que me encanta e sempre me faz parar e escutar com atenção, na busca de uma textura sonora diferente ou algum detalhe anteriormente desapercebido.

Conversando com amigos, me indicaram a biografia do Metallica, do Mick Wall. Não tinha na livraria, mas durante a procura, observei uma jóia em capa dura. Um exemplar do livro não-autorizado do Led, do mesmo autor, calhamaço, coisa linda. Caro, mas eu sabia cada centavo seria bem gasto. Comprei sem medo de ser feliz.

Correr os olhos pelas letras do livro foi um reencontro com os gigantes. Com os velhos tempos, onde pegava os discos de vinil antigos na sala em Ramos, onde aprendi a ouvir música. E depois, quando ganhei minha própria vitrola, fiz grandes shows para cem mil ácaros com direito a bis – aliás, até hoje sou um grande band leader de engarrafamento, comandando verdadeiras platéias formadas por mim mesmo de dentro do carro.

Além disso, a história do Led é mágica. É muito raro ver quatro caras que tocam de forma tão esplendorosa juntos, se mantendo unidos no decorrer dos anos e fazendo petardos atrás de petardos. Mesmo com os “empréstimos” alegados no livro, a força motriz e criativa da banda era absurda e incontrolável, transformando trechos de obras alheias em novas e inesquecíveis músicas.

[pausa – fazia tempo que eu não usava isso: Embora haja furtos de pedaços de canções observados de forma incontestável, o livro traz algumas forçadas de barras. “Taurus” do Spirit tem um ou outro harpejo parecido com “Stairway to Heaven”, mas a diferença de qualidade das músicas é abissal e gritante, por exemplo. Fim da pausa]

Mick Wall se esmerou e fez um livro absurdo. Cobre os aspectos profissionais e as peculiaridades com o mesmo talento. Aliás, expõe o Led de forma tão minuciosa que os integrantes remanescentes o odeiam pela biografia. No caso desse gênero literário, isso é ótimo sinal.

Ao fim das mais de 500 páginas, deu vontade de voltar a ser criança em Ramos e fazer um show para ninguém. Conhecer mais da história dos gigantes me fez lembrar meus próprios momentos. A música continua a mesma.

P.S.: Bonzo, por que morrer tão cedo?

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Sobre o amor por vinis, leia aqui

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