Coadjuvante

No mundo moderno, há uma necessidade extrema das pessoas em ser protagonista. Ser visto, reconhecido, querido, estrela. Holofotes em detrimento dos bastidores. Viver e aprender a jogar requer muito mais do que o centro do universo, mesmo que isso represente apenas um umbigo. Ultimamente, se subestima muito o poder do coadjuvante, o que é lamentável.

A coadjuvância é tão necessária quanto o protagonismo. Quando um auxiliar sabe se postar, brilha tanto ou mais do que o artista principal do espetáculo. Quem não se lembra da seleção de 1994? Romário e Dunga foram protagonistas, mas o coadjuvante Bebeto brilhou, fez gol, embalou o nenê e até disse “Eu te amo!” em rede mundial. Virou ídolo sem ser o líder da companhia.

Por outro lado, temos o coadjuvante que não se aceita como tal e acaba passando para a história como motivo de chacota. Veja o Rubinho. Sempre foi um jovem promissor, desde os tempos de Fórmula Ford. Aí, em 1994, com a morte do Ayrton Senna, tomou para si o papel de salvador das manhãs brasileiras. [sobe a musiquinha, pan pan paaaaan]. Deu Certo? Não. Resultado: foi achincalhado e nunca teve sua competência reconhecida pelo grande público. Não foi coadjuvante, mas em vez de protagonista, virou antagonista.

A sociedade não precisa só de estrelas, precisa de coadjuvantes elegantes. É preciso se mirar em auxiliares de sucesso, que assim construíram sua carreira. Veja o Morgan Freeman, por exemplo. Começou conduzindo Miss Daisy, foi cowboy com Clint Eastwood, presidiário com Tim Robbins, virou presidente dos Estados Unidos e da África do Sul e chegou a Deus, sempre como auxílio luxuoso. É o ápice.

É preciso valorizar mais a figura do auxiliar. Os Mussuns, os George Harrisons, os Bebetos, os Garrinchas. Estamos com uma cultura ridícula de muito cacique para pouco índio. Todos têm seu papel no teatro da vida, e nem todos são protagonistas. Em vez de buscar a fama, é importante buscar a alegria. Um bom coadjuvante faz um protagonista mediano brilhar. Um coadjuvante fraco derruba qualquer protagonista, por melhor que seja.

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