As Estrelas São Indiferentes à Astronomia

Toda noite, ela aguarda o sol se por para observar a noite. Gosta de ser abraçada pela escuridão, até que as estrelas comecem a aparecer. Sempre imagina que cada um daqueles astros carrega suas esperanças e sonhos, seus medos e saudades.

Ela evita se olhar no espelho. Caminha de mãos dadas com seus demônios, como todo mundo. Mantém com eles certa cumplicidade. Na astronomia de sua vida, pede constelações de paz, pois ultimamente enxerga apenas o buraco negro da solidão. Acende um cigarro. Luz.

No parapeito da janela, muitas vezes ela pensou em abreviar sua inquietude, que gera sofrimento. Reza para as estrelas aparecerem, mas elas se recolhem, deixando o céu negro, nulo, nublado. Temporal de ansiedade, cujo peso nem sempre ela quer suportar.

Até que os primeiros raios da manhã aparecem, trazendo para ela o sono dos insones. Das noites mal dormidas onde se tenta redesenhar o futuro, a cada dia. Ou mudar o passado. Por mais que ela goste do céu, ainda não se conforma que as estrelas são indiferentes à astronomia. Mais um cigarro.

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