Carcarás

Acorda com os primeiros raios de sol do sertão. Embora reclame do calor inclemente, está lá, parado, observando tudo. Mira o seu redor e todas as fraquezas que podem dali brotar. Da fraqueza alheia é que tira seu alimento e sustento.

Oportunista. Sempre observa a melhor situação para levar vantagem. Não gosta do confronto igual, prefere se aproveitar do mais fraco, do oprimido, às vezes o morto já o satisfaz, desde que tire proveito disso.

Prefere ficar estático, no chão, preguiçoso. Sabe fazer outras coisas. Pode até voar. Pode até planar. Mas quanto menos trabalho, melhor. O importante é se locupletar, levar vantagem, o máximo de proveito com o mínimo de esforço.

Talvez passe a pinta de malvado, valentão, mas não é nada disso. Covardia se disfarça com intimidação. E na imensidão silenciosa, um grito faz diferença. Talvez seja malvado, talvez não. Mas disfarça seus defeitos com uma tranquilidade irritante.

Quando o sol se despede, às seis horas, junto com a Ave Maria do Sertanejo, de forma cândida, ele vai dormir. Isolado, raramente em companhia, para que no dia seguinte esteja novamente à espreita de uma fraqueza. Pega, quando dão chance; mata, se não se cuidarem; come, sem piedade.

Quando a farinha é pouca, o egoísmo aparece. O que tiver de ser feito, vai fazer. Na hora de sobreviver, não vai morrer de fome. Custe o que custar. A partir do primeiro raio de sol do sertão, começa a batalha. Escrúpulos? Nem sempre. No fim das contas, somos todos carcarás.

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