Reciclagem

Ele não consegue mais escrever. Abre a folha de papel e tenta produzir algo útil e interessante. Ou algo inutil e desinteressante. Nada sai. Sua criatividade parece aprisionada, de forma perpétua. Suas personagens deixaram de ser suas companheiras e foram passear por aí, dando lugar à angústia.

Rabisca. No meio daqueles rabiscos e palavras desconexas, busca algo em que se inspirar. Não acha. Rasura. Garrancha. Amassa a folha. Rasga. Recomeça. Mais rabiscos e palavras desconexas. Acha uma idéia. Sorri. Começa a escrever.

Um parágrafo, mais um, o terceiro. A espinha dorsal do texto montada. Pensa numa frase de efeito. Em uma definição marcante. Nada. Vislumbra um título especial, uma referência inteligente. Nenhuma. Relê os três parágrafos escritos, já não os acha tão bons. Joga tudo no lixo.

Em vez de recomeçar, decide largar. Não consegue mais escrever, que vire prisioneiro do ócio. Abre uma cerveja. Duas. Quatro. Oito. Aquele texto já não é tão ruim. Cadê o texto? Revira o lixo. Não acha. Procura de novo. Está lá. Todo sujo, macambúzio. Volta a escrever. Abre o sorriso. E mais uma cerveja. Relaxa. E ainda encontra o título: Reciclagem

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