Sem Título nº 5

O mormaço que invade a tarde é apenas mais um motivo de incômodo. Há dias difíceis, este é um deles. Silêncio. Nada a falar, o único som ouvido é o da respiração constante e o suspiro posterior, que traduz toda indignação do momento. Não é fácil. Quem disse que seria?

O pior dos momentos é quando os desabafos se acumulam e não saem. Engolir sapos em fila, com dor, apanhar sem poder revidar. Uma embolia de coisas não ditas e que fazem mal, descendo de forma mais rascante do que conhaque barato. A vontade de chorar é enorme, mas segurar as lágrimas é necessário, pois lacrimejar não demonstra fraqueza, apenas desperdício de emoção no caso.

Chega um momento do dia em que o sol inclemente, que diminui os olhos atacados pela fotofobia, dá uma trégua. Se até o sol acena bandeira branca, o dia terá um fim. Aquelas 24 horas onde a vitória é impossível, a derrota é inevitável e a única coisa que se quer é que o tempo passe de forma indolor, tanto quanto o possível. Vai acabar. Tem que acabar.

E nas palavras disparadas e cuspidas como balas de metralhadoras, aquelas não ditas, é que se encontra o conforto. Quando se fala sozinho, rebatendo todas as chicotadas recebidas. Olhar as nuvens fechando o tempo pela janela e saber que a água da chuva vai tomar o lugar do choro. Vontade de aproveitar o momento e cuspir todos os sapos engolidos de uma vez, como se fosse cena de “Magnolia”. E depois dormir o sono, não o dos justos, mas dos injustiçados.

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