Engrenagem

Acorda. Olha o despertador. Aquela foi mais uma entre tantas noites mal dormidas. Antes das 6, já está de pé. Tem de cuidar da criança, deixar comida pronta, correr com a roupa, tomar um banho e ir trabalhar. Lá fora, o sol inclemente. 33 graus e não são nem 7 horas da manhã.

Liga o carro, deixa a criança na babá. Engrenagem. Esta é a palavra que vem à cabeça quando pensa em seu emprego. Que às vezes parece trabalho, noutras parece senzala. Mas é emprego, paga as contas, todos os direitos assinados. Mesmo assim, não está satisfeita. Reflete. E haja tempo para refletir. Emperrada no engarrafamento.

O ar-condicionado não dá vazão para a quantidade de calor naquela manhã. Os pensamentos fervem, não pelo sol, mas pelas dúvidas. É justo? É necessário? Se pergunta se vai continuar nisso, se vai aguentar esta pressão. Entre as dúvidas e dívidas, se debate. Debate. Toma uma decisão. Afinal, a engrenagem não pode parar.

Chega ao trabalho. Dá bom dia a todos. Bate o ponto. Começa a trabalhar. Decisão já tomada, é chamada na sala de recursos humanos. Contenção de custos. Corte. Já havia definido ficar. Não será possível. Engolida pela engrenagem, cuspida do lugar onde estava. Vida que segue.

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Uma opinião sobre “Engrenagem

  1. Pingback: Engrenagem (via Cotidiano e Outras Drogas) | Beto Bertagna a 24 quadros

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