Sinos

Os sinos do despertador anunciam que são 5 da manhã. Um dia daqueles que promete ser extenuante. E é. Logo depois, os acontecimentos se sucedem de forma tão pesada e impactante que as coisas se atropelam.

Já estavam juntos há tempos. Discussões são comuns e normais. Algumas, mais duras que outras. Naquele momento, por coisas banais, muito é dito. As palavras que queimam e cortam como meteorito se perdem nas lembranças tão nebulosas quanto buracos negros.

Quanto mais se debate, mais o tom sobe. As ofensas são cada vez mais duras, e penetram profundamente. As feridas estão abertas e antigas cicatrizes são revisitadas. A alma pinga e escorre, desmedida, destroçada.

A respiração ofegante denuncia o cansaço dos agora lutadores, que buscam nas ofensas mais impensadas uma maneira de finalizar o adversário, em uma luta de boxe psicológico na qual o nocaute seria muito mais confortável do que os intermináveis rounds.

Após 120 minutos, o silêncio toma o lugar das palavras gritadas a esmo. Muitas lágrimas depois, ambos se rendem. Os sinos, agora da igreja, ressoam como sal nas feridas abertas. O som, tão particular e calmante, agora é perturbador.

Os sinos geralmente denunciam o casamento, a união, a celebração da paz interior. Naquele momento, por quem os sinos dobravam? A guerra interior e particular onde vários demônios, outrora escondidos, foram reapresentados.

Eles ressoaram mais uma vez. Naquelas badaladas, demonstraram que algo se quebrou. Se haveria oportunidade de reconstrução, se as feridas infeccionariam ou fechariam, só o tempo iria dizer. O som parecia um tom menor de tristeza e desesperança. E era

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