Diários Secretos da Cafajestagem – Capítulo VII – Cultura da Sacanagem

[Nada escrito neste texto é inverídico. Qualquer semelhança com a vida real não é mera coincidência. São depoimentos reais de cafajestes atuantes, em remissão, aposentados, mas sempre, sempre com o gene da cafajestagem como dominante]

[Garçom, traz cinco cervejas]
[E uma caipirinha com adoçante, que eu não bebo cerveja]
[viadinho…]

– Caras, nossa adolescência foi muito mais sofrida da que os meninos de hoje.
– É verdade, hoje em dia é tudo muito fácil.
– Você quer ver a gostosa pelada, só colocar no google e voilá, aparece ela lá peladona, em todos os ângulos, com tira-teima e tudo, parece transmissão de futebol.
– No nosso tempo, tudo era mais difícil. Ver era mais difícil, imagine praticar?
– Certamente. Havia um esquema especial de contrabando da putaria.
– Sim, a contravenção da punheta.
– Exatamente! Acredito inclusive que isso tenha sido formador de caráter. As pessoas se acostumam com o fácil demais e não valorizam hoje em dia.
– Claro, formou caráter, como não? As revistas de sacanagem e os filmes em VHS deram a dimensão de toda uma geração.
– Sim, os filmes. As musas! Todas com aqueles nomes pomposos.
– Nina Hartley. Amber Lynn. Ginger Lynn. Tracy Lords. Savannah, que era muito gostosa. Pena que essa morreu cedo.
– Todas eram gostosas.  E adoravam o que faziam. Muita técnica. Era a Seleção de 1970 da sacanagem.
– Lembro quando eu me trancava no quarto pra ver os filmes e minha avó perguntava se estava vendo filme de monstro.
– Filme de monstro?
– É. Ela dizia: “Meu filho, muito gemido nesse filme que você estava assistindo, achei que era o Godzilla invadindo a cidade”. Herdei o sarcasmo da avó.
– Mas o dela era muito melhor.
– Shhh, não espalha.

* * *

[uma série de “mais seis cervejas” depois…]
– O jornaleiro, aquele cúmplice, incomodado quando os primeiros raios de sol do fim de semana saíam, para vender aquelas revistas embaladas em sacos plásticos pretos.
– Era a versão de “Caçadores da Arca Perdida” com espinhas!
– Sim, caras. E ainda tinha aquela questão. As Playboy para “admirar” as grandes atrizes da época, as menos cotadas para aprender o kama sutra ginecológico.
– E a “Ele & Ela”, que além de mulher pelada tinha aquele “Fórum”! Eu queria conhecer alguém que tivesse escrito aquilo, o cara era um gênio. Merecia cadeira na ABL.
– Um ghost writer da putaria. E ainda tinha um vocabulário mais extenso do que muito escritor famoso por aí. Grandes expressões eternizadas.
“Membro rijo”, “gruta entumescida”. O cara era um gênio.
– Caras, “entumescida” é a prova viva de que os anos dourados da putaria já passaram. Pornografia fina.
– O supra-sumo era conseguir uma “Playboy”. Era quase um troféu. Os coroas sempre perguntavam: “E aí, já viu a Playboy?”. Todo mundo da nossa época ficou marcado por uma musa diferente.
– Ísis de Oliveira, caras. Essa revista sofreu na minha mão.
– Ana Lima, a bunda mais perfeita da história da revista, em tempos que não havia photoshop! Se o Procon tivesse utilidade, proibiria a venda do photoshop no Brasil. É muita propaganda enganosa.
– Tânia Alves! Eu adorava a da Tânia Alves. Certa vez, no Baixo Gávea, a vi e gritei “Tânia Alves, eu sou seu fã!”. Ela acenou entusiasmada!
– E aí?
– Aí eu disse que a Playboy dela foi a primeira revista de sacanagem que tive na vida e que a filha dela deveria posar também. Ela ficou constrangida e evaporou do local.
– Gosto da sua sutileza.
– Mas é importante ressaltar que a filha dela posou um ano depois do nosso “encontro”. Eu devia ser olheiro de revista de mulher pelada.

* * *
– A melhor de todas as revistas era a das Irmãs Rammé.
– Putz, a natureza foi generosa com aquela família, muita sequestrabilidade.
– Impressionante a quantidade de talento daquelas moças. Benza Deus.
– Amém.
– Irmãs Rammé, ah, as Irmãs Rammé, fiquei grudado naquela revista.
– Aquela revista das Irmãs Rammé era deliciosa, cada pág… mas, peraí, como assim grudado?
– Ahn, então…

[Garçom, mais seis cervejas!]

_________

O capítulo I dos Diários Secretos da Cafajestagem, “La Bombonera”, está aqui

O capítulo II dos Diários Secretos da Cafajestagem, “Reveillón”, está aqui

O capítulo III dos Diários Secretos da Cafajestagem, “A Falha”, está aqui

O capítulo IV dos Diários Secretos da Cafajestagem, “Evidências”, está aqui

O capítulo V dos Diários Secretos da Cafajestagem, “Impedimento”, está aqui

O capítulo VI dos Diários Secretos da Cafajestagem,”Urucubaca e Pênalti”, está aqui

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11 opiniões sobre “Diários Secretos da Cafajestagem – Capítulo VII – Cultura da Sacanagem

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