O Namorado de Cabelo Azul – Parte 2: O “Inimigo” Agora é Outro

– Oi, filha.
– Oi, benção.
– Deus te abençoe. Tudo bem?
– Tudo.
– Filha, estava eu nas redes sociais e vi que seu status está “em relacionamento sério”. Isso é sério?!
– Claro que é sério. O jovem no Brasil não é levado a sério.
– Filha, você precisa melhorar seu gosto musical, mas isso é assunto pra depois. Por que você não me contou?
– Ué, mamãe sabia. Ela não te falou?
[grita pra cozinha] Você sabia?
[resposta do além] Siiiiiiiiiiim
[grita pra cozinha] E não me contou?
[resposta do além] Nããããããããããão
[grita pra cozinha] E isso é certo?
[resposta do além] Estou cozinhando, não tô ouvindo direito. O brownie está ficando ótimo.
– Mas, filha, me conte, como ele é.
– Gente boa, bonito, carinhoso [desfia um milhão de qualidades]
-…
[continua desfiando as qualidades]... e faz cosplay também. E tem
cabelo azul.
– Cabelo azul?
– É. Ele pinta o cabelo pra fazer as performances.
“Performances”?!. Hum. Entendo. Na verdade, não entendo. Conte-me mais.
– Então, eu tô feliz, tô gostando dele. Ele é bacana.
– Mas cabelo azul de novo, filha? Mais um desses e você pede música no filme dos smurfs.
– Mãe, estou sofrendo bullying.
[resposta do além] É bom que você ganha anticorpos.
– Mas continuando, filha. Esse daí é emo também?
– Não, ele curte rock. Pinta o cabelo só por pintar.
– Já é um bom começo, não chora no escuro. Quantos anos ele tem?
– 14, sou mais velha do que ele, mas não espalha.
– Isso é natural, ta no sangue da família da sua mãe ser todo mundo papa-anjo, também sou mais novo do que ela
[resposta do além] Eu tô escutando, hein? E você vai ficar sem brownie, tratante!
– Você sabe que gente de cabelo azul não dá certo na vida, eu já te disse isso.
– Qualquer coisa ele pinta o cabelo. Podia ser pior, ele podia ser careca.
– Opa, me senti ofendido! Vai ficar de castigo!
[gargalhada]
– Você está feliz?
– Tô. Tô me divertindo.
– È o que importa. Namoro é diversão. Pra se estressar, já basta a vida.
– Inclusive vou encontrar com ele hoje.
– Hum. Olha lá, hein?
– Pode deixar. Aprendi direitinho.
– Estou muito novo pra ser avô.
– Nem tô pensando nessas coisas.
[resposta do além] O problema é esse. [gargalhada]
– Sua mãe tem razão. [gargalhada]
– Vocês me sacaneiam mais do que meus amigos do colégio.
– É pra criar anticorpos, esqueceu?
[gargalham]

* * *

– E aí, amor, esse dura quanto tempo?
– Esse parece ser melhor, acho que vai durar bastante. Nossa filha está crescendo e está feliz.
– Engraçado. Quando você elogia, é “nossa” filha. Quando dá bronca, é só “minha” filha.
– Hum. Bom que você também cria anticorpos.
– Você é ridículo.
– Nunca neguei.
[gargalham]
– Ah, esqueci de perguntar uma coisa pra filhota…

[pega o telefone, liga]

– Filha? Tudo bem por aí?
– Esqueci de perguntar um negócio. Ele joga videogame?
– Hum. Ele joga FIFA?
– Com o Barcelona?
– Ah, não? Então tá. Um beijo.
– Ih, ele não joga com time forte no videogame, já tô gostando desse cara. Vou me apegar.

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Sobre as aventuras e desventuras da paternidade, 15 O Namorado de Cabelo Azul e O Beijo

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