Desconhecido

– Próximo.
[chega calmamente ao guichê]
[a atendente a observa]
– Cadê sua ficha?
– Tá aqui. A G-27.
– G-27. Hum… ok.
– Bom dia.
– Bom dia. Quantos anos você tem?
– 15.
– Hum. Cadê sua responsável?
– Tá ali. [chama a mãe]
[checa os documentos]
– Tá tudo certo, mas não vejo os documentos do pai.
– Não tem.
– Como “não tem”? Ele não quis reconhecer a criança?
[gagueja] – Ahn, é… ele nem sabe que a criança existe.
– Você não o avisou? Passou nove meses com o bebê na barriga e não avisou ao pai? É direito seu, sabia? É direito do seu filho ter um pai. Não procurou o pai dessa criança?
– …
– É importante que todo filho tenha um pai, a lei está aí pra isso. Você pode me dizer o nome dele, que encaminhamos para o juiz agora e resolvemos isso.
– Eu… não sei.
– Você não sabe o nome do pai do seu filho?
– Não. Estava em uma festa, rolou um clima, a gente fez ali mesmo e fiquei grávida. Foi isso.
– Não perguntou o nome dele?
– Não. [baixa a cabeça]
[os olhos da mãe enchem de lágrimas]

* * *

– Escreve o nome da criança aqui, por favor.
– Não sei escrever direito, você pode escrever pra mim?
– Posso…
– Esperança. Ela vai se chamar Esperança.
– Esperança de quê?
– Não sei. Mas tenho esperança de que ela tenha um pai um dia.
– Estava perguntando do seu sobrenome.
– Da Silva. Esperança da Silva.

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