15 segundos

Naquele dia ele não queria escrever. Na verdade ele não tinha a mínima inspiração pra isso. Estava cansado. Pensava apenas naqueles quinze segundos que foram intermináveis. E que de vez em quando o assombravam em pesadelo, que durava bem mais do que aquele tempo.

Era como se a areia da ampulheta da alma escorresse pelos seus dedos, como se o barco de Caronte pendesse entre a estação túmulo e a estação berçário. Quinze segundos. Pouquíssimo tempo, mas o suficiente para um piscar de olhos, para Usain ganhar uma corrida, para uma lágrima descer do rosto.

Ele ainda podia ouvir o estampido seco e o chacoalhar insano. E relembrar, passo a passo, aquele momento. Quando fechou os olhos, passou o filme de uma vida inteira em quinze segundos. Menos do que um comercial. Naquele emaranhado de coisas, só pôde pensar: “Fudeu” e fazer uma oração. Os olhos ficaram fechados por uma eternidade efêmera, até que tudo parasse e só pudesse se escutar os pingos grossos de chuva.

Após um suspiro tenso, checar se estava tudo em ordem. O sangue quente, a reslução das coisas. Vivo, enfim. Hora de olhar pra frente, de segurar firme na ampulheta da alma, de manter a frieza e celebrar o que se tem. Quinze segundos que poderiam ter sido ponto final. Apenas um susto, pesadelo real. Foi apenas ponto. Parágrafo.

 

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