Amor Bandido

Futebol é amor bandido. Daqueles que entorpece, engana, magoa, humilha e dá raros e inesquecíveis momentos de prazer. De todos os amores que o ser humano pode ter na sua vida, o futebol é mais que eterno, pois começa antes de nascer. Entretanto, é dos sentimentos mais ingratos e nefastos que habita a alma, porque usa o hospedeiro sem a mínima piedade.

Em nome do futebol, um ser humano comum acha que pode legitimar o preconceito, a violência, a corrupção. E embora o futebol seja causador disso, ele, esperto, ensaboado, sorrateiro, sai da frente e desnuda o torcedor, mostrando sua face mais obscura e indomada. Quando o adepto cai em si, está lá, envergonhado e só, pois o futebol, nesses momentos, larga quem o ama à própria sorte.

Por ele, se tenta justificar os fins, os meios, os inícios, quase uma música do Raul Seixas com Paulo Coelho, por mais indefensáveis que sejam os argumentos – ou até o Raul Seixas com Paulo Coelho, dependendo do gosto musical. O futebol é como uma droga que, se consumida sem moderação, dopa, vicia, cega e prostitui os valores.

Famílias brigam, amigos discutem, conceitos caem, preconceitos sobem, muitas vezes pelo futebol. Que une com freqüência muito menor que desune. E são minimizados com o prosaico argumento de que “é futebol”. Mas na hora de arcar com as conseqüências, ele, o futebol, mentor intelectual do delito, sai de fininho, rumo à glória, deixando a vergonha com seu interlocutor.

E o torcedor vai tentar defender o indefensável, justificar o injustificável, até perder o fio de esperança e a razão, respirar e ver o tamanho da bobagem que defendeu. Como todo vício, futebol dá ressaca, muitas vezes moral.

Ao término da crise de euforia e depressão, sempre haverá uma reclamação e um julgamento no espelho, no qual o torcedor, eterna mulher de malandro, vai reconhecer os abusos, a pancada que tomou e se sentir só. Mas, tal e qual um abstinente, vai tremer, relutar, se enervar e vai voltar ao vício. E vai perceber que nunca teve razão. E continuar, em sua esmagadora maioria, cometendo o mesmo erro. Porque, infelizmente, no fim das contas, futebol é amor bandido.

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