À Deriva

Muitas vezes se quer escrever para desabafar, colocar em ordem a desordem dos sentimentos, expor algumas chagas, curar outras feridas ou apenas relatar sonhos e devaneios. As letras normalmente são boas amigas, daquelas leais, que não costumam abandonar o escriba em nenhum momento.

Mas há momentos em que elas não bastam, elas não são suficientes. Há horas em que por mais que se queira exprimir ou espremer, as palavras se recusam a sair. Olhar para o papel e ver um amontoado de letras significa muito menos do que a folha em branco, talvez molhada com uma lágrima ou outra.

Não é questão de criatividade ou falta dela. Nem de transpiração ou inspiração. Nem clichê serve de muleta. É apenas saber que o escrito no papel jamais substituirá o que se sente, não pode mensurar o que quer se dizer nem aliviar aquela dor latejante que teima em pulsar, tremendo cada osso que pavimenta o caminho do corpo. Enxaqueca da alma.

Neste momento, quando se olha pra dentro e se sente só, no escuro, impotente, as letras, que teimam em sair, ficam lá, fazendo companhia. Quando se está à deriva, perdido em si mesmo, lamentando a perda da maior ilusão que o ser humano tem, o controle. No momento em que não se sabe pra onde ir, é melhor deixar que a maré do destino leve.

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