Canção Lunar

Naquela noite escura, ele olhou para a lua. Ele sempre quis pisar lá, desde criança. Ali, por entre as nuvens, com uma brisa quente soprando o rosto, ele pensava no dia que passou, nas voltas e reviravoltas que o mundo dá, no silêncio que às vezes grita e muitas mais vezes conforta. Naquele céu estrelado, ele estava nublado.

Gravidade… queria flutuar, sem sentir o peso dos dias, do destino, das escolhas. Não desejava a outra interpretação, densa, pesada, que aflige a humanidade. Grave, crônico, agudo. Não sabia onde estava pisando, mas estava. Firme. É preciso seguir em frente, tropeçando ou não. O peso do mundo nas costas é bem menor do que o peso da omissão. Crescente ou minguante, no balanço da maré.

Há tempo. Sempre há. As noites não duram para sempre. Respira fundo. Mais uma vez olha para o céu. Sempre reparou nas estrelas, tão indiferentes à astronomia. Não carecem de definição, estão lá. Muitas vezes tentou adivinhar os nomes, mas isso não é preciso. É preciso acreditar. É preciso seguir, para onde for.

Cheio ou novo, é preciso brilhar. Sempre haverá um caminho a seguir. Quando tudo parece escuro, algo surge para lembrar que tudo tem jeito, que é possível. É preciso leveza. Sem gravidade. É preciso olhar a lua sorrir. É preciso deixar de ser eclipse. Naquela noite escura, ele sonhou com a lua.

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