Enfants

Pipa. Através do vento, a liberdade, sonhar, voar, rasgar os céus até que, inadvertidamente, um choque com outra e o cerol, cortante, desprende o objeto e o deixa flanando, sem rumo, sem destino, perdido até cair, de forma nem sempre suave, em algum lugar que o vento leve.

Peão. Como o destino. A partir do momento que se sai da mão, gira, gira, gira, não sabendo onde vai parar, sem controle da velocidade dos acontecimentos e contando com o acaso para uma chegada segura, que nem sempre ocorre, posto que o caminho é imprevisível.

Pique-Esconde. Aguardando a contagem, se escondendo, aparecendo apenas quando quiser, mesmo sabendo que uma hora será descoberto. Não dá para ficar recluso para sempre. Não se vive só de defesa, o ataque – ou contra- ataque – é necessário.

Rolimã. Montar um plano, viajar nele, construir cada pedaço e depois descer ladeira abaixo, sem controle, tentando frear o máximo possível, buscando o domínio máximo em situações de pressão, até chegar são e salvo – ou tomar um estabaco.

Corrida de Tampinhas. Cada um com o seu, em uma estrada comum, buscando chegar em primeiro lugar, às vezes trilhando o caminho certo, às vezes saindo da pista, sendo jogado para fora, ou fazendo o mesmo por revide. Ou, resignado em dias cansados, apenas curtindo a viagem, sem criar expectativas nem competitividade.

Carniça. Ser o alvo ou a flecha, conforme a composição do grupo. Rir com e rir de, conforme a disposição dos fatos. Ser objeto de riso. Caminhar em círculos até sair da posição incômoda e, em vez de vítima, assumir os ares de algoz.

Festa de aniversário. Celebrar, mesmo que não tenha vontade. Comer, mesmo não sendo próximo. Bater palmas, mesmo sem querer aplaudir. Furar o bolo, apenas pelo prazer da galhofa. Esquecer da falta de vontade, de não ser próximo, de não aplaudir e ser solidário, intuitivamente.

Fim de tarde. Abraçar, sorrir, lembrar nostalgicamente. Viver em paz. Passar a curtir mais e competir menos, crescer, dividir angústias, felicidades e tristezas. A infância nos ensina o caminho do futuro, pena que precisamos ficar velhos para identificá-los no passado.

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