Enfrentando Demônios, II

– Oi.
– Você? Aqui? É pesadelo?
– Não. Ausência de sonhos. Não é inventivo? Por que você acha que não consegue dormir?
– Não sei. Por sua causa?
– Exatamente.
– Vaidoso.
– Eu falei que voltaria pra te questionar. Voltei.
– É. Não foi convidado.
– Nunca sou convidado, não faz meu perfil.
– É verdade.
– É bonito te ver definhar.
– Gosto do fato de você ser lúdico.
– E você continua debochado.
– É importante manter a verve.
– Até quando você vai resistir?
– Até o momento em que me sentir só. Você, por exemplo, está me acompanhando.
– O que?
– É. Enquanto você se importa em me questionar, eu sirvo pra algo.
– Mas eu sou seu demônio.
– Você existe por minha causa, não o contrário.
– Faz sentido. Mesmo assim, não pense que sou seu amigo.
– Não é. Mas de você eu sei o que esperar. Pra mim você é previsível. E não é meu inimigo.
– Não?
– Não. Meu inimigo sou eu, muito mais contundente e imprevisível que você.
– E você acha que aguenta?
– Mesmo com gente por perto, há lutas que se lutam só.
– Muitas frases de efeito. Você já foi melhor nisso.
– Ultimamente a excelência não é meta; sobreviver é.
– Dramático.
– Realista.
– Já disse que uma hora o temporal te consome.
– Chuva só vem quando tem de molhar, não me assusta.
– O mais irritante em você é essa falsa consciência sobre si.
– Quem atormenta quem aqui?
– Vai pro inferno.
– Já tenho visto no passaporte. Está amanhecendo, quem não gosta de sol é você.
– Eu volto…
– Você já não tem a mesma segurança na voz…
– Mas…
– Bom dia pra você.

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