Correnteza

Nada.

Ele nada naquele mar que muda de cor conforme o reflexo do céu e o fundo de areia. Do mais límpido azul ao chumbo mais turvo. A sabedoria ensina que não se deve enfrentar as ondas. Os arrogantes têm a sentença decretada pela imensidão líquida e ela não costuma dar segundas chances.

Respira.

Prudência é mais do que necessário quando se está nas águas. Em tempos de marola ou em ondas tormentosas, é preciso nadar. “Continue a nadar”. A frase é simples e prosaica, mas faz bastante sentido, principalmente no momento e movimento das marés. Cheias ou baixas, ao capricho da lua, indicam os caminhos ou a falta deles.

Cansa.

Muitas vezes o mar puxa para um caminho completamente diferente. Não se deve enfrentar as ondas, a lição é navegar com elas – ou apesar delas. O confronto só desgasta e desperdiça energia. Paciência é necessária para sair das ressacas, mesmo quando parecem intransponíveis.

Bóia

Quando os braços extenuam e nada mais parece funcionar, é necessário boiar. Recobrar um mínimo de forças para não perder o prumo. O corpo é barco, vela e vento, é o que se tem e o que se pode contar. A correnteza é um inimigo tão poderoso quanto pode ser aliado. É preciso decifrar suas entrelinhas.

Mergulha

Mergulha e volta, aproveita a corrente, pega o jacaré. De peito aberto, sem se afogar. A distância da terra firme é uma variável que depende muito do fôlego e da vontade de sair do mar. Respira, cansa, bóia e mergulha.

E nada.

Por tudo. E por nada.

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