O Barcelona e a Metáfora da Vida

O Barcelona acabou de ser eliminado pelo Chelsea. Um jogo eletrizante na Catalunha, com elementos dramáticos daqueles que pedem a trilha sonora de Carmina Burana [reparem que não há clichê mais eficiente do que colocar a trilha de Carmina Burana em algo. Infalível]. A eliminação do Barcelona suscitou uma série de lamúrias dos puristas e a comemoração de muitos amantes do futebol. Há um porquê disso. E não tem nada a ver com futebol.

O Barcelona é a materialização da quase perfeição. Os passes, o entrosamento, o sucesso, a paciência, a calma, a felicidade, o sucesso. Este time do Barcelona já ganhou absolutamente tudo. Só não ganhou a Libertadores porque não teve a idéia de passar 12 meses em Guayaquil disfarçado de primo pobre. Além de tudo, tem o melhor jogador do século, assessorado por certamente outros dois entre os cinco melhores. É uma máquina de contornos humanos, com armadura azul e grená.

Se levarmos isso para a vida, o Barcelona é aquilo que gostaríamos de ser sempre: ama o que faz, bem sucedido, sem entreveros, com um caminho trilhado para a vitória e ser feliz. Só que nós, pelos árduos e tortuosos caminhos, nos aproximamos disso à duras penas. E quando chegamos próximos disso, algo nos leva a um novo dilema, a um novo desafio gigante, a um novo caminho, nem sempre agradável.

A derrota do Barcelona é salutar por dois pontos primordiais: Um porque o oponente que vence é um sopro de que nós podemos ser melhores de quem é melhor do que nós, podemos alcançar nossa meta, podemos superar desafios que parecem impossíveis; por outro lado, a derrota do Barcelona o faz mais humano, mais próximo de nós, mais falível e mais atingível.

Portanto, quando vir as pessoas comemorando a derrota do Barcelona, fique feliz. A humanidade da perfeição faz todos serem melhores. O Barcelona não deixa de ser melhor porque perde, mas sua derrota resgata a beleza do imprevisível. E o imprevisível é a matéria prima do sonho.

Hasta.