Sommeliers

Na última semana, o assunto mais visto e comentado foram as fotos desnudas de Carolina Dieckmann – que, aliás, está de parabéns – surrupiadas por um bando de hackers. Noves fora a polêmica deste tipo de furto, somada ao impacto que é um monte de fotos nuas de uma atriz – gostosa – que tinha prometido jamais posar, outro aspecto relevante permeou a questão.

[Pausa dramática: Não falarei da questão criminal, nem se Carolina Dieckmann foi ou não ingênua. Não é importante a minha opinião sobre isso. Aliás, nenhuma escrita minha é importante. Fim da pausa dramática].

Conforme as pessoas viam as fotos, os comentários variavam, até que um deles chamou a atenção. Puristas começaram a debater e reprovar a depilação dos pelos pubianos de Miss Dieckmann. Como se tentassem impor uma ditadura pubiana, para que todas tivessem de ser carecas, ou com bigodes hitlerianos, ou com pelos aparados. Sommeliers depilatórios, eu diria.

Depilação é coisa séria. Enquanto centenas de milhares tentam passar em concursos públicos brasileiros torrando suas economias ou as da família em cursinhos pagos, mestras no brazilian wax enchem os bolsos de dinheiro pelo mundo afora. A depilação brasileira, depilação-arte, depilação moleque, depilação cera y me voy, é referência global e revulucionou até a indústria pornô.

Entretanto, depilação, assim como corte de cabelo, é uma questão de gosto estritamente pessoal. Imagine se todos tivéssemos de ser carecas? Ou black power? Ou com cabelos na cintura? O mundo seria uniforme e mais chato. Guardadas as noções de higiene, que são extremamente importantes, a depilação feminina deve ser democrática, posto que a democracia sempre guarda o tesouro da liberdade.

O mundo necessita de mais democracia e menos sommeliers. Muitos dos que criticaram os pelos pubianos de La Dieckmann não avaliaram a escolha individual que isso representa. A liberdade de ir e vir – e dar, o gosto feminino pelo próprio corpo, a expressão da vontade. Se você não entende a vontade da mulher, como vai poder extrair o máximo de um momento com ela? E como pode posar de especialista no assunto?

Em uma conversa na mesa de bar com amigos, há muitos anos, surgiu a teoria que a preferência masculina pela depilação feminina é uma coisa geracional: Os mais velhos tinham preferência pela genitália peluda, seja ela aparada ou Ohana Fischer rain forest style; os homens na faixa de 30 anos votaram pelo estilo chapliniano/hitleriano, com um bigodinho; e os mais novos preferiam o estilo raspadinho, a la Ronaldinho.

Entre muitos chopps e gargalhadas, todos da mesa concordaram que esta é uma escolha da mulher. Que deve se depilar de acordo com o que a deixa mais feliz, confortável e livre. E que o homem tem de se adaptar a isso. E curtir. Afinal, depilação feminina é igual a gramado de futebol: Se você gosta do esporte, pratica em qualquer campo, não fica de frescura ou viadagem.

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