Toda Forma de Responder

O dia dele começou de forma tensa, com um engarrafamento monstruoso. Nada funcionava. Preso no trânsito, sua irritação só aumentava. Tudo o tirava do sério. Entre buzinas e xingamentos, antes que se transformasse em Michael Douglas em “Dia de Fúria”, recebeu uma ligação do seu chefe, o espinafrando.

Aquele telefonema o deixou ainda mais transtornado. Ao escutar mais um xingamento xexelento no trânsito,se anestesiou de ódio. Decidiu ligar o rádio e escutou uma música dos Engenheiros do Hawaii. Ele nunca foi fã de Engenheiros do Hawaii. Na verdade, achava uma porcaria. Era apenas questão de gosto.

No entanto, as frases de efeito da banda sempre tinham impacto, um quê de firula, um ar de arrogância. Ele teve uma idéia: decidiu fazer um protesto. Naquele dia, só responderia às pessoas com fragmentos de letras da banda. Saiu do engarrafamento e acelerou, pensando: “110, 120, 160…”. Tomou uma multa.

Ao chegar no trabalho, a secretária prontamente lhe recebeu com um sorriso e o diálogo se sucedeu:

– “Bom dia! O senhor tem uma reunião”
– “O que você me pede eu não posso fazer”
– “O que, mas este fornecedor marcou horário há mais de duas semanas”
– “Não ouço nada, o que eu ouço não diz nada”
– “Tudo bem, remarco esta reunião pra quando? Ele diz que tem que discutir informações muito relevantes para a parceria”.
– “Eu presto atenção no que eles dizem, mas eles não dizem nada.”

Antes de bater a porta, ainda soltou um “yeah, yeah” e sentou na cadeira. Ligou o computador, leu os e-mails, o primeiro e-mail foi do chefe se desculpando pela bronca da manhã. Evitou responder. No skype, o chefe o chamou, reiterando a situação.

– “Me excedi com você, me desculpe. Sei o quanto você é importante para a empresa.”
– “Somos um exército de um homem só”

O chefe não entendeu direito o que ele quis dizer. Informou detalhes da viagem que iria fazer e continuou o diálogo.

– “Você precisa descansar, está trabalhando demais”
– “Envelheci 10 anos ou mais, desde o último mês”
– “Como estão os indicadores da empresa, teremos aumento do faturamento?”
– “Todo mundo tá revendo o que nunca foi visto. Todo mundo tá comprando os mais vendidos.”
– “Muito bom, assim você pode faturar uma bela comissão”
– “Tudo é motivo pra mais”
– “Você está profundo hoje. Meio piegas, mas profundo. Devia relaxar e ir para o bar depois do expediente.”
– “Com um vinho barato, um cigarro no cinzeiro e a cara embriagada no espelho do banheiro.”

O chefe ficou sem entender, desligou o mensageiro eletrônico e foi cuidar da vida. Ao mesmo tempo em que ele ficava feliz por não ter que pensar no que falava, se surpreendia ao conhecer tantas músicas do Engenheiros do Hawaii. O subconsciente era quase um músico de apoio da banda. Foi almoçar e ao voltar, passou novamente pela secretária.

– “Nosso cliente mais importante quer uma conferência com você, urgente. É a diretora que quer falar com você. Vai se recusar a atendê-la?”
– “Diga a verdade, doa a quem doer […] e me dê seu telefone”

A diretora da maior conta da empresa estava enfurecida. Havia uma negociação na Região Norte do país e um carregamento tinha sido enviado para lá, sem informações de chegada. A conversa iniciou tensa.

– “Onde está nosso carregamento. O veículo está seguindo por uma rota completamente diferente da que estamos acostumados a fazer”
– “Paralelas que se cruzam em Belém do Pará”
– “Mas ele precisa seguir por balsa para Manaus!”
– “Longe, longe. Aqui do lado”
– “Eu preciso desse material lá por avião, urgente. A balsa não vai me atender em tempo suficiente!”
– “Levamos muito tempo pra descobrir que não é por aí, não é por nada não. Não pode ser”
– “Mas eu quero que seja assim”
– “O preço que se paga às vezes é caro demais”
– “Você tem alguma sugestão melhor?”
– “A dúvida é o preço da pureza”
– “Somos o melhor cliente da empresa. Faça o que estou mandando.”
– “Um dia me disseram quem eram os donos da situação.”
– “Quero que sigam exatamente minhas orientações”
– “Mas não precisamos saber pra onde vamos, nós só precisamos ir.”
– “Exatamente igual, você entendeu?
– “Tudo bem, garota, não adianta mesmo ser livre”
– “O que você disse?”
– “Escute, garota, façamos um pacto, você desliga o telefone se eu ficar muito abstrato”.

A cliente nada entendeu. E desligou o telefone. As ordens foram cumpridas, gastando o orçamento necessário. O dia estava terminando e ele estava consideravelmente mais leve. Sua única preocupação era o conhecimento do repertório dos Engenheiros do Hawaii. Nunca imaginara saber tanto sobre a banda que dissera não gostar. Era um fã enrustido.

Às 18 horas, pegou suas coisas e saiu da firma. A secretária se despediu e perguntou:

– “Amanhã o senhor vem para o trabalho cedo ou vai a algum cliente?”
– “Nós não precisamos saber pra onde vamos, nós só precisamos ir”
– “O senhor estava muito esquisito hoje. Isso não é estafa não?”
– “Estamos sós e nenhum de nós sabe exatamente onde vai parar”
– “Descanse hoje, converse com sua esposa, vai te fazer bem. Estou sendo muito invasiva?”
– “Eu acho que sim, você finge que não”

A secretária se calou a partir dali e ele pegou o carro. Sem trânsito e sem stress. Ao chegar em casa, abraçou sua esposa, deu-lhe um beijo na testa e começou a tirar a roupa para tomar banho.

– “Como foi seu dia hoje? Liguei para a empresa, a secretária disse que você estava muito atarefado e um tanto quanto esquisito”
– “Minha vida é tão confusa quanto a América Central, por isso não me acuse de ser irracional.”
– “O que é isso, você está me respondendo com uma letra de música de Engenheiros do Hawaii? Mas você nem gosta da banda!”
– “Escute, garota, o vento canta uma canção, dessas que a gente nunca canta sem refrão”
– “Você pode parar com essa palhaçadinha, deixa isso pro escritório”
– “Mas eu não sou ator, eu não tô à toa do teu lado”
– “O que você vai fazer da próxima vez, recitar Los Hermanos?”
– “Só pra ver até quando o motor aguenta”
– “Vai à merda”
– “Pra ser sincero não espero de você mais do que educação”
– “Ser sua esposa, às vezes, é muito complicado. Chega às raias do absurdo”
– “Como outro qualquer, como tentar o suicídio ou amar uma mulher”

Neste momento, mais um beijo na boca, um abraço apertado e uma gargalhada rumo ao chuveiro. E ela pensa na vingança, para no dia seguinte responder a tudo que ele pergunta com letras de música do Wando.

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Reencontrando os Gigantes

Eu nunca fui um garoto que amava os Beatles e os Rolling Stones. Gosto demais das duas bandas – a segunda bem mais que a primeira – mas minha banda preferida sempre foi outra. Desde moleque, influência direta da minha mãe, meu som preferido é o Led Zeppelin.

Mesmo hoje em dia, em que tenho mais uma ou duas bandas no panteão das preferidas além deles – uma delas é o Dredg, a outra varia conforme o humor – o zeppelin de chumbo é um som que me encanta e sempre me faz parar e escutar com atenção, na busca de uma textura sonora diferente ou algum detalhe anteriormente desapercebido.

Conversando com amigos, me indicaram a biografia do Metallica, do Mick Wall. Não tinha na livraria, mas durante a procura, observei uma jóia em capa dura. Um exemplar do livro não-autorizado do Led, do mesmo autor, calhamaço, coisa linda. Caro, mas eu sabia cada centavo seria bem gasto. Comprei sem medo de ser feliz.

Correr os olhos pelas letras do livro foi um reencontro com os gigantes. Com os velhos tempos, onde pegava os discos de vinil antigos na sala em Ramos, onde aprendi a ouvir música. E depois, quando ganhei minha própria vitrola, fiz grandes shows para cem mil ácaros com direito a bis – aliás, até hoje sou um grande band leader de engarrafamento, comandando verdadeiras platéias formadas por mim mesmo de dentro do carro.

Além disso, a história do Led é mágica. É muito raro ver quatro caras que tocam de forma tão esplendorosa juntos, se mantendo unidos no decorrer dos anos e fazendo petardos atrás de petardos. Mesmo com os “empréstimos” alegados no livro, a força motriz e criativa da banda era absurda e incontrolável, transformando trechos de obras alheias em novas e inesquecíveis músicas.

[pausa – fazia tempo que eu não usava isso: Embora haja furtos de pedaços de canções observados de forma incontestável, o livro traz algumas forçadas de barras. “Taurus” do Spirit tem um ou outro harpejo parecido com “Stairway to Heaven”, mas a diferença de qualidade das músicas é abissal e gritante, por exemplo. Fim da pausa]

Mick Wall se esmerou e fez um livro absurdo. Cobre os aspectos profissionais e as peculiaridades com o mesmo talento. Aliás, expõe o Led de forma tão minuciosa que os integrantes remanescentes o odeiam pela biografia. No caso desse gênero literário, isso é ótimo sinal.

Ao fim das mais de 500 páginas, deu vontade de voltar a ser criança em Ramos e fazer um show para ninguém. Conhecer mais da história dos gigantes me fez lembrar meus próprios momentos. A música continua a mesma.

P.S.: Bonzo, por que morrer tão cedo?

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Sobre o amor por vinis, leia aqui

O Amor Num Disco de 1968

Eles faziam um casal ligado em novas tendências. Cult, assim eram chamados. Gostavam de boas músicas, bons filmes, boas bebidas. Se achavam únicos, ótimos, peculiares. Tão inimitáveis que elegeram o disco de Roberto Carlos, o de 1968, como trilha sonora do relacionamento.

Quando se conheceram, viviam um momento de solidão. Numa festinha de música brasileira, se fitaram e abriram um longo sorriso. Entre tragadas de cigarro e goles de bebida, se beijaram pela primeira vez. “Não vou deixar você tão só”, ele disse pra ela. “Ninguém vai tirar você de mim”, ela retrucou.

Com o tempo, as arestas apareceram no relacionamento. O ciúme. Maldito ciúme. Ela queria sair sozinha. Ele dizia “Se você pensa”. Ele falava com as amigas, ela gritava “É meu, é meu, é meu”. Eles discutiam, brigavam quase chegavam ao confronto físico. Ele murmurava: “Quase fui lhe procurar”; ela, entre lágrimas: “Eu te amo, te amo, te amo”.

As brigas ficaram cada vez mais freqüentes, as reconciliações rareavam. Ela escrevia, saudosa, d´“as canções que você fez pra mim”. Ele dizia que a amava, mas prezava a liberdade. “Nem mesmo você” vai mudar isso, bradava, com a incerteza que só os loucamente apaixonados tem.

Decidiram terminar, não dava mais. Na primeira vez que se reencontraram, ele enlouqueceu. Ao ser questionado por ela, respondeu, seco: “Ciúme de você”. Ao ser perguntada se voltaria, ela foi enfática, dizendo que “não há dinheiro que pague” uma recaída. Ela se recuperou, ele nem tanto, mas ambos pesavam a mesma coisa: “O tempo vai apagar”.

O relacionamento deles cabia num disco de 1968, mas não se eternizou. Hoje em dia, não aguentam mais ouvir falar do outro. De tão únicos, terminaram como tantos outros, com raiva, ferida aberta. Ela o xinga de nomes impublicáveis e, até mesmo, inimitáveis. Ele a resume com uma palvra cheia de mágoa e saudade: “Madrasta”.

Liberta, DJ!

“Eu sou pobre, pobre, pobre, pobre de marré. Mas sou rico, rico, rico, rico de mulher”. “Resusscita, São Gonçalo! Liberta, DJ”. Com estes versos, em 1995, o programa da Furacão 2000, no canal 9, tremeu no Rio de Janeiro. Cantando o “Rap do Salgueiro”, Claudinho e Buchecha eram apresentados ao público carioca adolescente, turbinado com refrescos de laranja com acerola, maracujá, limão [é furacão]. Nascia, em meados dos anos 90, a dupla ícone do funk carioca e uma das melhores coisas da música brasileira na década.

Cláudio e Claucirlei, amigos, flamenguistas, suburbanos, irmãos de fé, começaram a cantar nos festivais de rap de São Gonçalo, até que estouraram com o “Rap do Salgueiro” e chegaram à Furacão 2000. Era a onda funk, que revelou gente como Marcinho, Bob Rum, Danda e Tafarel, William e Duda e Neném, entre muitos outros.

Claudinho & Buchecha [o Claucirlei] eram diferentes das demais vozes do movimento funk. Não cantavam proibidões, tinham cara, jeito e eram bons moços, seus shows não tinham lado a, nem lado b. Eram diversão pura. Funk arte, funk moleque, funk oh yes y me voy. Simon & Garfunkel dançantes, de ébano. Tinham a característica marcante de procurar palavras diferentes e incomuns no dicionário e incorporarem aos funks.

Assinaram com uma gravadora major, a Universal, e lançaram um disco homônimo em 1996, que simplesmente alcançou platina triplo, vendendo 750.000 cópias.

O álbum é discoteca básica da música brasileira. Além do “Rap do Salgueiro”, uma cover de “Tempos Modernos” [melhor que a original, aliás], “Carrossel de Emoções” [um dos melhores retratos de bailes funks pacíficos da história], “Conquista”, “Barco da Paz” e o maior hit do funk na história, “Nosso Sonho”.

O funk chegou ao mainstream com MC Batata e a “Feira de Acari”, que foi até trilha sonora de novela. Mas “Nosso Sonho” fez o funk ganhar o mundo. Chegou ao ápice de ser música de comercial da Nike, cantada por Ronaldo, na época magro e fenômeno – mas sempre desafinado.

O funk, pela primeira vez, como dizia sabiamente a letra do “Rap do Silva”, o “Stairway to Heaven” do pancadão, cantado por Bob Rum, calava os gemidos que tinham nas cidades.

O segundo disco, A Forma, de 1997, manteve o sucesso do primeiro. Mais um disco de platina triplo. A guinada do funk para o pop era evidente. “Quero Te Encontrar” foi a música mais pedida do Oiapoque ao Chuí. A dancinha de Buchecha, a interjeição “Oh, Yes” e a versão de “Uma Noite e Meia” foram febre no país.

No terceiro disco, Só Love, de 1998, o sucesso não foi tão grande.”Apenas” platina duplo, 500.000 cópias vendidas, mas é dos discos mais lembrados. A versão de “Lilás”, de Djavan, foi hit, assim como “Xereta” e a música título, que trazia Claudinho tocando violão e antológicos versos como “controlo o calendário sem utilizar as mãos”. O disco trazia a dupla cada vez mais pop e mais familizarizada com a produção musical.

Nesta migração definitiva para o pop, gravaram um disco ao vivo, em 1999, e um disco mais obscuro, Destino, de 2000, que contava com um hit de arquibancada, “Vermelho e Preto“, exaltando o Flamengo, e “Berreco”, um semi-hit, que fez relativo sucesso no Rio de Janeiro. Destino não ganhou nem disco de ouro.

Depois de um hiato de dois anos, gravaram Vamos Dançar, que explodiu nas paradas graças a dois hits: “Gostosa” e “Fico Assim Sem Você”, principalmente pelo segundo som. A música de Abdula, com um malemolente jogo de palavras e o profético verso “Buchecha sem Claudinho”, invadiu o Brasil inteiro e recolocou a dupla na rota frenética de shows, até o dia 13 de julho de 2002…

… quando Claudinho resolveu ir para um show dirigindo seu carro novo e sofreu um grave acidente, morrendo no local. O fim de um dos maiores fenômenos musicais brasileiros estava decretado, mas até hoje Claudinho & Buchecha são reverenciados, seja em festinha de criança, seja nos bailes funks do Brasil.

Figuras da música pop como Kid Abelha, Ivete Sangalo, Adriana Calcanhoto e Emicida regravaram seus sucessos. Se houver alguém que tinha entre 13 e 20 anos na segunda metade da década de 90 e não fez a dancinha do Buchecha ou falou “Oh, Yes”, pergunte se ela se divertiu na época – a resposta provavelmente será negativa.

A filha de Claudinho iniciou carreira musical, apadrinhada pelo “tio” Buchecha, remoçando a própria carreira do atualmente sumido Claucirlei. Em tempos de hologramas, festivais nacionais como Rock in Rio deveriam fazer uma apresentação de Buchecha com o holograma de seu parceiro, cantando os sucessos da dupla. Não é exagero pensar que seria a atração brasileira mais procurada.

Há mais ou menos 15 anos atrás, ninguém levava fé na dupla. Hoje, não é mentira nem hipocrisia dizer que o som de Claudinho & Buchecha, ao menos para quem viveu aquela época, faz tudo ficar blue. Liberta, DJ.

A Humanidade de um Mito

O livro do Keith Richards estava me paquerando há muito tempo. O ganhei de presente e o deixei na prateleira por dois meses, enquanto acabava outras leituras. Uma injustiça com um dos livros autobiográficos mais sensacionais que já li, ao lado de “Agassi”.

Biografia é dos meus gêneros preferidos de leitura, ao lado de literatura contemporânea. As cores da realidade sempre são mais interessantes do que a aquarela de fantasia. No caso do livro de King Richards IV [IV de intravenoso, como ele mesmo explica], de bônus ainda vem um panorama detalhado e sensacional de toda a história dos Rolling Stones.

O que mais chama a atenção na leitura é a completa ausência de mitificação da personagem. Keith é Keith, de forma absurdamente humana, com sua sinceridade e franqueza deliciosamente desconcertantes. Pelo fato dele ser quem é, desmonta uma série de mitos e lendas do rock, o que torna a aventura de acompanhar o livro ainda mais agradável.

Entre uma série de relatos, receitas, detalhes de shows, feituras de álbuns e músicas, o livro é de uma delicadeza ímpar quando trata de relacionamentos, em quaisquer esferas. A ligação complexa entre Keith e Mick é esquadrinhada a ponto de se observar com quantas medidas de amor, ódio e competição é feita uma parceria. Os Glimmer Twins são muito peculiares, e menos não se esperaria de uma das três parcerias mais sensacionais da história do rock, ao lado de Lennon/McCartney e Plant/Page.

Quando se termina a leitura, a sensação que se tem é que Lord Keith deu uma aula de humanidade ao leitor. Com a simplicidade e a inteligência de quem modificou a maneira de afinar e tocar sua guitarra para encontrar um das sonoridades mais elegantes e marcantes do rock, por mais de 600 páginas o que se vê são lições implícitas e explícitas, sem falsos moralismos, maquiagens ou máscaras.

Em tempos de pessoas comuns se achando mais importantes do que realmente são e “celebridades” e “subcelebridades” reais e virtuais, um mito se mostrando humano funciona como um tapa na cara da hipocrisia vigente. Keith sabe e nos ensina há mais de 40 anos que a vida it´s only rock and roll. And We like it.